Uma geladeira, um micro-ondas, uma televisão e um computador. Esses foram os eletrodomésticos que Jeferson Vieira, 35, perdeu em meio às constantes quedas de energia na Rocinha, na Zona Sul do Rio. A falta de luz na Rocinha vem afetando a rotina de quem vive na favela e, com a chegada do verão, os riscos de desabastecimento sobem, devido ao aumento no consumo de energia. 

A casa de Jeferson fica no Campo Esperança, na localidade do Valão, parte baixa da Rocinha. Com a queda da semana passada, uma peça do computador dele foi danificada. O reparo vai custar cerca de R$ 120,00. Um problema comum em favelas do Rio é a falta de medidores de consumo de energia nas residências. O morador diz que não tem um medidor em casa, o que dificulta, segundo ele, o registro de uma reclamação formal contra a empresa.

Os prejuízos de Jeferson, que somam R$ 4 mil, são contabilizados há dois meses, desde quando teve os primeiros danos. A geladeira foi reparada e a televisão trocada por uma nova. “A gente sente que não tem direito de ser cidadão na sociedade e o sentimento é de impotência”, lamenta. 

Joyce Pires é vendedora e sai para trabalhar diariamente preocupada com a falta de luz e a conservação dos alimentos na geladeira. “É onde coloco os alimentos mais caros da casa, como carne, queijo e outros e, se estragar, não é fácil comprar novamente”, diz a moradora. Segundo ela, em três dias, a luz acabou duas vezes. “Fico desesperada, às vezes, porque tenho que ir trabalhar, mesmo sem luz. Deixo a geladeira na tomada, para quando a energia for restabelecida, não estragar as minhas coisas.”

O advogado Igor Marchetti, do Instituto de Defesa do Consumidor, afirma que, por prestar um serviço público de distribuição de energia, a concessionária Light é responsável pelos eventuais danos causados às pessoas, independentemente de serem consideradas ou não consumidoras pagantes, como no caso do morador da Rocinha. “O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 2, parágrafo único, compreende que, em caso de danos causados a pessoas indetermináveis coletivamente, pode ser considerada a vítima do dano como consumidor por equiparação”, explica. 

Ele ressalta, ainda, que os moradores que tiveram perdas de eletrodomésticos podem solicitar a reparação pelos danos alegando o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor. O artigo obriga “que o prestador de serviço responda pelo dano, independentemente da culpa, bastando demonstrar relação entre o serviço e o dano causado ao consuidor”. 

A Light informa, por meio de nota, que registra um grande número de ocorrências no local por conta de “gatos de energia”, que, segundo eles, sobrecarregam a rede e causam a falta de luz. Questionada sobre a situação dos transformadores, a empresa diz que já realizou mais de 180 serviços relacionados a postes, seja instalação, realocação ou retirada na Rocinha nos últimos seis meses e que deve realizar mais de 30 ações envolvendo os postes na favela até o fim do ano. Afirma, também, que mantém um programa permanente de manutenção preventiva, que avalia as condições dos postes sob responsabilidade da concessionária. Além disso, informa que vistorias e fiscalizações são realizadas diariamente por equipes de manutenção, e que clientes podem entrar em contato pelo Disque-Light: 08000210196.

Foto de capa: Glauber Magalhães/FavelaDaRocinha


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