O Mercado Popular da Rocinha foi tombado provisoriamente pelo prefeito Marcelo Crivella em um decreto publicado, nesta terça-feira (7/7), no Diário Oficial do Município. O ato considerou a relevância arquitetônica e urbanística do camelódromo desenvolvido pelo arquiteto Rodrigo Azevedo, inspirado no Mercado Ver-o-Peso, em Belém, no Estado do Pará.

De acordo com Gildo Henrique da Silva, vendedor de brinquedos e presidente da Associação do Mercado Popular da Rocinha, o tombamento ainda é provisório e requer atenção para que todas as etapas do processo administrativo sejam cumpridas. “É um primeiro passo. Apesar de tanto sofrimento que nós passamos, é importante para nossa sobrevivência e, também, para outras comunidades vizinhas que recorrem ao Mercado Popular para consumir produtos”, conta Gildo.

Mercado Popular da Rocinha divide muro com o terreno da Igreja Universal do Reino de Deus. Foto: Celso Brandão

A medida acontece dois meses após Crivella tentar remover lojistas da área comercial para abrir um novo acesso à Igreja Universal do Reino de Deus, onde o tomógrafo está instalado.

A demolição do Camelódromo da Rocinha foi proibida pelo Tribunal de Justiça do Rio após liminar obtida pelos lojistas sem que a prefeitura apresentasse um projeto provando a necessidade de remoção e indicação de um local onde seriam realocados. Horas depois, a prefeitura recuou e desistiu da demolição.

Impacto econômico na cidade

O arquiteto Rodrigo Azevedo soube do tombamento por um amigo. Segundo ele, o tombamento do mercado vai além dos méritos arquitetônicos e urbanísticos e diz que o reconhecimento da área comercial é fundamental para a manutenção de outros mercados populares no país.

“[São] locais onde grande parte da população se abastece a preços mais baratos e outros tiram seu ganho, fundamental para sua sobrevivência. E, em um contexto como este que estamos vivendo, com a pandemia da Covid-19, apoiar os mercados populares e criar novos, formalizando os vendedores de rua, é uma medida fundamental”, explica Rodrigo Azevedo.

Em 2005, o projeto do Mercado Popular da Rocinha foi reconhecido internacionalmente ao fazer parte de uma exposição de arquitetura em Paris, na França. O evento homenageou a diversidade e a modernidade da cultura brasileira.

O camelódromo foi inaugurado há 16 anos, dias depois das eleições municipais de 2004. Visto de cima, o Mercado Popular da Rocinha lembra um guarda-chuva ao contrário. A lona tensionada é o mesmo material que pode ser encontrado na cúpula do Rock in Rio e no Circo Voador, na Lapa.

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