Maria Aline Silva Martins, de 27 anos, foi escolhida recentemente pelo programa FLTA (Foreign Language Teaching Assistant), da Fulbright Brasil, para lecionar a língua portuguesa para estudantes na Universidade Emory, em Atlanta, no Estado da Geórgia.

O programa seleciona professores de inglês e português recém formados para serem assistentes de ensino de português como segunda língua em universidades norte-americanas por 10 meses. O ano letivo no país é diferente do modelo brasileiro. Nos EUA, as aulas iniciam em agosto e terminam em maio. Os professores envolvem os alunos trazendo a sua cultura para além das aulas de português.

A caminhada até chegar em terras estrangeiras foi longa. Maria Aline é natural da cidade de São Benedito, no Ceará. Ela migrou com os pais e quatro irmãos para a Rocinha ainda bebê com 1 ano de idade. Na adolescência, conheceu a Escola de Música da Rocinha onde obteve uma bolsa para estudar inglês na Cultura Inglesa.

“A Escola de Música foi onde vivenciei muito do que tem a ver com a minha reflexão hoje em dia sobre migração porque teve um projeto de músicas do Nordeste que me reconectou com as minhas origens.”, lembra ela, cujos pais sempre inscreveram os filhos em projetos sociais, atividades da igreja e em escolas públicas para ocupar o tempo.

Muito estudiosa e dedicada, como ela mesmo diz, foi aprovada nos vestibulares da UERJ e da PUC-Rio. A proximidade com a Rocinha fez a moradora escolher o curso de Letras na PUC-Rio. Foi na faculdade que ela conheceu o programa oferecido pela Fulbright Brasil. Maria Aline se formou em 2018 e, em seguida, iniciou o mestrado.

A rápida evolução levou Maria Aline para o outro lado da sala de aula. Ela passou a dar aulas para estudantes do ensino médio no Colégio Pedro II, tradicional instituição de ensino público federal, no Rio de Janeiro.

Em 2021, o impacto do ensino remoto na qualidade do aprendizado dos alunos. O retorno das aulas presenciais este ano melhorou a situação. “A experiência do presencial está sendo muito boa, é outra coisa ver os alunos, poder criar material e ver o que dá certo ou não, pois no formato online eles não dão feedback e você dá aula para as paredes. O presencial é outra vivência, você está dando aula e eles próprios te proporcionam um momento de crescimento – se você pega isso como aprendizado – você pega coisas que podem te acrescentar, te tornar uma professora melhor”. 

Os alunos de Maria Aline ficaram felizes e tristes ao mesmo tempo pela partida da professora. As turmas entendem que é uma oportunidade única lecionar em uma universidade dos EUA. As homenagens foram parar nas redes sociais e postaram a festa de despedida para a professora, que finalmente os fez aprender inglês.

Para Aline, a Rocinha oferece muitas oportunidades e muitas possibilidades. “Os projetos sociais transformam a vida das pessoas a nível pessoal e profissional. Quando você participa de um projeto desses, seja de dança, de luta, você acaba se reconhecendo como pessoa, pois às vezes você não tem essa autoestima e aí você se desenvolve. Você cria pensamento crítico, se torna uma pessoa socialmente consciente, entende que você mora num local que as pessoas julgam, que as pessoas julgam você e que as pessoas não botam fé em você. Esses projetos me fortaleceram como pessoa e me fizeram ter criticidade.”

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