Com algumas escolas públicas e particulares, pré-vestibulares e reforços escolares, a Rocinha é uma grande produtora de conhecimento. Mas, como é visto a educação produzida na favela?

Na sexta-feira passada (6/8) comemoramos o Dia Nacional dos Profissionais da Educação. Muitos estereótipos acerca da favela nos afastam todos os dias dela. Seja na educação, na saúde ou mesmo no cotidiano. Para além desses estereótipos há muitas histórias de lutas e de superações nas favelas, e principalmente na Rocinha.

Você já deve ter escutado, estudado ou mesmo passado perto de alguma instituição de ensino na Rocinha. Algumas escolas são tão antigas que dão nome a lugares, são referências locais, como é o caso da Paula Brito. Muita gente conhece o local por conta da escola. A Escola Municipal Francisco de Paula Brito é a primeira escola da Rocinha e funciona até hoje.

Essas instituições de ensino podem ser alguém que ajuda você com o dever de casa na rua, a escola, o pré-vestibular, o reforço escolar, a biblioteca e a nossa casa.

A educação na favela não é uma tarefa fácil. Diversas são as dificuldades que moradores, professores e educadores enfrentam para levar uma educação digna para todos. Contudo, acompanhado da dificuldade sempre teve a resiliência desses espaços.

Como não lembrar da resistência e da luta de Dona Elizia, educadora que realizou trabalho comunitário de alfabetização com crianças e adultos a partir da década de 1970. Foi em 1978, que ela abriu um barracão, sem portas nem janelas, para adultos e crianças no alto da Rocinha. Também teve um papel importante no acesso de moradores da Rocinha à universidade. Foi uma das fundadoras do pré-vestibular comunitário do Colégio Teresiano, na Gávea.

Como não lembrar de Marcos Barros, que lutou pela democratização no acesso ao ensino superior através do Pré-Vestibular Comunitário da Rocinha (PVCR).

Histórias de superação como o caso da Dona Rizonete, que aos 58 anos, a moradora da Rocinha após longos anos afastada dos estudos, retorna e alcança a tão sonhada vaga na universidade pública.

São exemplos como esses que demonstram a importância da educação, principalmente, na educação feita na favela e para a favela. Apesar das dificuldades, isso mostra que nós moradores, nós educadores, somos muito além da ausência e dos estereótipos, somos potência.

Diariamente são noticiadas coisas ruins sobre a favela e quando pesquisamos na internet, ou vemos na televisão não é aquela favela que vivemos e trocamos todos os dias. A gente ainda não venceu, a favela não venceu, estamos caminhando e a educação é uma porta. A educação é um caminho para uma mudança social.

Paulo Freire disse, certa vez, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. E para mudar nossa realidade é preciso de educação. Nós por natureza sempre resistimos, e também somos fonte de grandes conhecimentos.

A educação na Rocinha é uma grande prova disso, são inúmeros os saberes populares e de conhecimentos acadêmicos que produzimos na favela. Queremos ser vistos para além desses estereótipos. Que a luta e a vontade por mudanças nesse país prevaleçam.

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