Na pandemia de covid-19, milhares de famílias foram impactadas pela perda de renda e o agravamento da fome. O Família Recicla, um braço social do projeto Família na Mesa, decidiu fazer uma troca justa com os moradores da Rocinha. Preocupados com o descarte irregular de óleo de cozinha nas pias, ralos e valões do morro, a iniciativa orienta que moradores coletem até 20 litros de óleo de cozinha, cada, para trocar por uma cesta básica.

Criado há dois meses, o projeto já recolheu 600 litros de óleo de cozinha que poderiam ter tido outro destino. Segundo ambientalistas, 1 litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. Na rede de esgoto, o resíduo acumula-se nos canos e prende a passagem de outros materiais.

“A Rocinha é uma comunidade muito grande onde os moradores descartam o óleo de maneira errada. Acabamos jogando no ralo, desce, cai nos bueiros aqui do morro, corre para o valão e automaticamente deságua na praia de São Conrado, onde nós mergulhamos”, conta Marcelo dos Santos, um dos responsáveis pelo projeto.

Com o apoio de voluntários, o projeto Família na Mesa coleta óleo de cozinha usado em troca de cesta básica na Rocinha. Foto: Reprodução/Família na Mesa

Não é de hoje que o Família na Mesa trabalha a questão ambiental na organização. Ao longo de 2 anos e meio, o grupo consegue ajudar mensalmente 150 famílias. Ao retornar para pegar uma cesta básica, as famílias trazem os plásticos gerados pelos próprios alimentos, como o saco do arroz, do feijão e outros que são reciclados.

Como fazer a troca do óleo de cozinha

Mesmo sem cadastro no projeto, a pessoa pode levar a quantidade de 20 litros de óleo e fazer a troca pelos alimentos. As cestas doadas são patrocinadas por parceiros do projeto.

“Se a pessoa não chegar no quantitativo de 20 litros, nós anotamos o que ele entregou. Por exemplo, se uma pessoa entregou 5 litros hoje, na próxima ele vem e entrega mais 5 litros e completa 10 litros de saldo. Quando ele chegar no quantitativo de 20 litros, nós entregamos a cesta básica para a pessoa. É como se fosse um banco de crédito de litros. É acumulativo.”, diz Marcelo dos Santos que emenda: “Se a pessoa chegar com 40 litros de uma vez, ganha uma cesta e já deixa a próxima reservada para o mês seguinte”.

Os moradores interessados em trocar óleo de cozinha usado por cestas básicas podem procurar as redes sociais do Família na Mesa ou comparecer no CIEP 303 Ayrton Senna da Silva (Brizolão da Passarela), de segunda a sexta, das 10h às 17h, e falar com Marcelinho. Moradores da parte alta da Rocinha podem fazer a troca na Padaria do Marcelinho, na entrada da Rua 1, descendo o beco principal sentido Roupa Suja.


Apoie o jornalismo de favelas. Apoie o Fala Roça.

Fazer jornalismo na favela é um imenso desafio. Nós sempre fizemos nossas matérias abordando diversos aspectos da Rocinha. Seja no jornal impresso ou no site. Contribuindo com o Fala Roça, você estará fortalecendo o jornalismo feito na favela, independente, e com um olhar de quem nasceu e mora até hoje no morro. Pode dar essa moral? ?

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Idosa de 70 anos morre com suspeita de Covid-19 na UPA da Rocinha

A idosa Maria Luiza Santana do Nascimento, de 70 anos, morreu com…

Infectologista diz que moradores da Rocinha correm risco com coronavírus

Uma das portas de entradas do coronavírus na Rocinha pode ser o turismo

Eraldo Silva: “Crise na saúde pública do Rio atinge patamares alarmantes”

Se a Prefeitura do Rio de Janeiro não recuar na sua decisão…

Menina de 4 anos não morreu por maus-tratos na Rocinha, diz Conselho Tutelar; caso revela extrema pobreza

A menina Larissa Rodrigues da Silva, de 4 anos, não morreu por…