A dengue voltou a ter destaque na Rocinha com a marca de 166 casos registrados no ano de 2023 até a primeira metade de novembro. Esse número é quatro vezes maior do que os 30 casos registrados em 2022 e os 4 casos em 2021. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e articulares, náuseas e erupções cutâneas. Em casos graves, pode evoluir para dengue hemorrágica, com risco de morte. A prevenção envolve medidas contra a reprodução do mosquito e o uso de repelentes.

Todo ano a doença se torna uma grande preocupação para os moradores, principalmente quando se aproxima o verão. A estação mais quente do ano tem ocorrência de chuvas intensas, que aumentam os pontos de água parada nos espaços da favela e é reforçada pela falta de saneamento básico. 

Em 2011, a doença alcançou o maior índice de casos na Rocinha, com mais de 1.970 casos registrados, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. 

Larissa Menezes, de 23 anos, moradora da localidade Atalho, parte alta da Rocinha, foi diagnosticada com dengue no início de novembro na UPA da Rocinha. “Estava com 39.7º de febre, sentindo dor nas costas, nas pernas, uma falta de apetite e instabilidade terrível. Foi muito difícil ser impactada pela falta de recursos dentro da Unidade de Pronto Atendimento, porque tem exames de sangue mais específicos para diagnosticar qual tipo de Dengue [eu] tinha sido vítima, e lá não tinha”, afirma a jovem.

A moradora também comenta sobre a importância dos membros da família ficarem mais atentos às possibilidades de acúmulos de água dentro de potes, vasos, pratos de plantas e a chama atenção sobre a necessidade de manutenção de limpeza nas caixas d’água.

“Lá em casa tem muita planta. Então, todo mundo está de olho nos pratos, vasos, potes e limpando as caixas d’água. Em outubro choveu muito, acumulou água em cima das caixas e é o ambiente perfeito pra moradia desses mosquitos. A falta de saneamento básico e as moradias coladas umas nas outras também facilita muito pra gente [morador] ser vítima da doença”, ressalta Larissa.      

Para diminuir os números de casos, os agentes comunitários de saúde da Rocinha trabalham em parceria com agentes de endemias para combater a doença no território, identificando possíveis focos e promovendo a conscientização contra a dengue para a população.

“Ensinamos como descartar o lixo e não deixar acúmulos [de água], porque em época de chuva tem inundações, alagamentos e cria os focos de dengue. Sempre falamos para não deixar as tampas das caixas d’água abertas nas lajes, baldes com água parada e fazer a manutenção nos vasos de plantas. Como estamos no território diariamente, trabalhamos o ano inteiro com isso”, explica Cláudia Josefa da Silva, agente de saúde comunitária da Rocinha desde 2010.

O ambiente seco permite a sobrevivência dos ovos do inseto por mais de um ano. Com o contato com a água, se desenvolvem passando da fase de larva para pupa até chegar à vida adulta. É nesta fase que o mosquito voa e transmite os vírus. Ao todo, o ciclo ovular até a idade adulta do mosquito pode acontecer em até sete dias.

“O aumento dos casos está ligado à falta de saneamento básico junto com a falta de adesão das medidas protetivas contra a dengue que os moradores da Rocinha precisam ter. Essa conscientização contra a dengue é um trabalho de educação no território, porque precisamos ensinar todo mundo a combater a doença e muitos moradores são resistentes a alguns métodos” avalia a agente de saúde Cláudia Josefa. 

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