A rede de eletroeletrônicos Ricardo Eletro fechou a loja na Rocinha esta semana. Quem passa pela loja encontra cartazes informando sobre queima de estoque e funcionários desmontando as prateleiras e recolhendo os produtos. Procurada, a assessoria de imprensa da Ricardo Eletro não foi localizada para comentar o assunto.

Dois motivos podem estar por trás do fechamento da loja. A prisão do fundador Ricardo Nunes por sonegação fiscal e o pedido de recuperação judicial feito pela rede varejista, em São Paulo.

A prisão e soltura do fundador

O fundador da gigante do varejo, Ricardo Nunes, foi preso na manhã do dia 8 de julho, em São Paulo, durante operação de combate à sonegação fiscal e lavagem de dinheiro em Minas Gerais. A filha do empresário, e seu irmão, Rodrigo Nunes também foram presos.

O empresário Ricardo Nunes também aparecia em alguns comerciais da rede de lojas. Foto: Divulgação/Ricardo Eletro

Ricardo Nunes foi solto no dia seguinte após prestar depoimento no Ministério Público de Minas Gerais. “Depois que o Supremo entendeu que não podia mais haver condução coercitiva, lamentavelmente tem ocorrido essas situações. O investigado é preso apenas para prestar depoimento, quando poderia ter sido intimado” disse o advogado Marcelo Leonardo, que atende ao empresário, ao jornal Extra.

A força-tarefa, composta pelo Ministério Público, pela Receita Estadual e Polícia Civil de Minas, batizou a operação de Direto com o dono. Apurações preliminares apontaram que cerca de R$ 400 milhões em impostos deixaram de ser pagos em cinco anos.

Pedido de recuperação judicial

Ainda em julho, o empresário entrará com uma ação cautelar preparatória de Recuperação Judicial na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, no Foro Central Cível de São Paulo. Pressionado pelos credores e pela queda expressiva de faturamento durante a pandemia, a empresa recorre à Justiça para blindar seus ativos e renegociar as dívidas. A partir do momento em que a ação cautelar for aceita, a varejista terá 30 dias corridos para apresentar o pedido principal de recuperação judicial.

A Máquina de Vendas, holding da qual pertencem a Ricardo Eletro e outras quatro grandes varejistas regionais, tem 74 lojas com pedidos de despejo e aproximadamente 100 milhões de reais em ordens de bloqueio de ativos da rede. A companhia está entre os 500 maiores devedores da Previdência Social, por falta de recolhimento de obrigações previdenciárias para o INSS. Ao todo, a Ricardo Eletro deve mais de 75 milhões de reais à União.

Relembre a chegada da loja na Rocinha

A loja da Ricardo Eletro na Rocinha foi inaugurada em outubro de 2011, durante o processo de instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora. Foi a primeira loja de uma rede de varejo a se instalar no morro. A unidade tem 680 m² de área construída, em três andares, e oferecia toda a linha de produtos da rede, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis. O investimento na construção e instalação ultrapassou R$ 1 milhão. Antes da Ricardo Eletro, no mesmo local funcionou a loja de móveis Mandinha.

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