Quem precisou ir cedo às ruas se deparou com com um batalhão de 100 agentes de sanitização equipados com macacão, máscaras, óculos e borrifadores se preparando para desinfetar becos e vielas, na manhã deste sábado (2/05), na Rocinha. 

A ação ganhou o reforço de 60 moradores voluntários e garis comunitários que se reuniram às 8h na Quadra da Rua 1 e se dividiram para guiar os profissionais pelo morro com o objetivo de atender o máximo de localidades. 

Contratada pela Cedae em ação complementar ao saneamento nas favelas do Rio de Janeiro, a empresa terceirizada desinfetou vias, espaços públicos, becos, vielas e escadarias com o auxílio de um nebulizador a frio para borrifar produto com efeito desinfetante (quaternário de amônia de quinta geração e biguanida polimérica – phmb).

“Esta técnica e princípio ativo do produto utilizados pela prestadora do serviço são os mesmos utilizados pelo governo chinês em ruas daquele país como forma de combate ao novo coronavírus. O produto age como uma película que mata os microorganismos do local (vírus, bactérias, fungos e ácaros) e forma uma camada protetora que mantém a superfície desinfetada por até 30 dias, dependendo da ação externa e circulação de pessoas”, informou a empresa estatal.

Agentes de sanitização aguardando instruções na Quadra da Rua 1, parte alta da Rocinha. Foto: Jorge Santos/Redes sociais

Na ação de hoje, todos os moradores e garis comunitários estavam equipados com máscara e utilizando álcool gel. A autônoma, Cristina Rodrigues, guiou os agentes de sanitização na Vila Cruzado, localidade onde mora no alto da Rocinha. Segundo ela, os olhares curiosos de moradores fez com que os moradores começassem a perceber a gravidade da Covid-19.

“Quando começamos a entrar nos becos, os moradores começaram a ter a certeza de que as coisas não estão boa. As pessoas começam a acreditar quando veem os agentes fazendo a sanitização. Passamos por diversos becos onde as pessoas pediam para desinfetar dentro das casas, bares, quintais”, conta Cristina Rodrigues. 

Nas últimas semanas, centenas de moradores começaram a lavar os becos e vielas por conta própria, com medo de contraírem o vírus. Segundo o Painel Rio COVID-19, o número de casos confirmados na Rocinha já chegou a 74 e 9 moradores morreram, de acordo com o boletim do dia 01/5. 55 moradores se recuperaram do vírus. Os números de casos confirmados e óbitos podem ser ainda maiores pelo risco da subnotificação de casos que está acontecendo no país.


Apoie o jornalismo de favelas. Apoie o Fala Roça.

Fazer jornalismo na favela é um imenso desafio. Nós sempre fizemos nossas matérias abordando diversos aspectos da Rocinha. Seja no jornal impresso ou no site. Contribuindo com o Fala Roça, você estará fortalecendo o jornalismo feito na favela, independente, e com um olhar de quem nasceu e mora até hoje no morro. Pode dar essa moral? 👇

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Sem cobrar, motorista de app leva idosos para vacinar contra covid-19 na Rocinha

O início da vacinação de idosos contra a Covid-19 no Rio vem…

Homem de 43 anos morre com coronavírus após dar entrada na UPA da Rocinha

Um homem de 43 anos morreu com coronavírus na última quinta-feira (16),…

Rocinha lidera nº de casos de coronavírus em favelas no Rio; já são 34 infectados

34 moradores da Rocinha estão infectados com o novo coronavírus, o covid-19,…

Desempregado, padeiro produz pães e doa para moradores na Rocinha

Em média, cada saco montado pela família de Isael Jacinto tem 5 pães