Os impactos econômicos provocados pela pandemia atingiram em cheio a mesa das famílias pobres, que dependem até hoje de auxílio emergencial para sobreviver. O cenário da fome no Brasil já alcança 19 milhões de brasileiros, de acordo com o Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil, da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar.

O governo federal pagou a quase 65 milhões de brasileiro um auxílio emergencial, mas entre janeiro e abril de 2021, a população ficou sem qualquer assistência. Após 4 meses desde a última parcela paga, agora, uma massa de brasileiros vulneráveis voltou a receber o apoio emergencial. Em meio a crise, receber ligações de cobranças, passaram a ser a rotina diária de  Michele Cristina de Moraes, 26 anos. 

Por isso, ao receber a ligação para a entrevista, ela rejeitou a ligação. A produção do Fala Roça teve que entrar em contato explicando que se tratava da reportagem. A jovem é mãe de uma bebê de 7 meses e faz parte da população que está em situação de insegurança alimentar. “É uma realidade muito precária. A gente não tem uma fruta, uma mistura para comer”, conta. 

Fome avança

Michele não é beneficiária do Bolsa Família, por isso, ela só recebeu uma parcela no valor de R$600, o que deixou a família em uma situação difícil. Antes da pandemia, ela trabalhava como vendedora ambulante de artesanato na praia, o que garantia R$60 por dia. Mas, com as restrições da Covid-19, o local de trabalho foi fechado. Sem renda, ela contou com ajuda de uma prima, que cedeu uma casa de um cômodo para ela morar sem cobrar o aluguel. 

Solteira, ela usou o dinheiro do benefício para ajeitar a casa e comprar alimento. “Todo dinheiro que eu pego, tenho de encher a geladeira, mas, mesmo assim, ainda não consigo fazer isso com frequência”, admite. Diante da ausência do poder público, organizações sociais de favelas espalhadas pelo país se mobilizaram para garantir alimentos às famílias afetadas pela crise. “Eu me viro com cesta básica que recebo dos projetos e com a ajuda de parentes”, explica Michele. 

Com a redução do valor do auxílio emergencial para R$150, Michele diz que os “gastos” foram obrigatoriamente cortados. De 3 refeições, ela passou a fazer apenas uma. O desafio é manter a alimentação da filha em dia. “Minha preocupação é dar de comer a minha filha. Ela tem de comer papinha, mas nem sempre tenho dinheiro para comprar. É duro para uma mãe ver que o filho pede um biscoito ou saber que ele quer um pão ou que precisa de algo e você não tem de onde tirar”, conta aos prantos, pelo telefone. 

A jovem afirma que o dinheiro pago pelo governo não supre as necessidades. “Se antes, com o valor de R$600, eu já não conseguia viver, imagina com R$ 150? Eu compro comida e só dá para 5 ou 7 dias”, revela. Outro problema, segundo Michele, é a demora do pagamento do auxílio. “Eu só posso sacar no dia 13 de maio”. 

Para sobreviver, ela conta com apoio de amigos. “Até sair o dinheiro, vou vivendo de ajuda de amigos e fazendo um bico aqui e outro ali, porque o auxílio emergencial não é uma urgência”, desabafa. 

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