Tramita na Câmara Municipal do Rio de Janeiro um projeto de lei que altera o nome da Biblioteca Parque da Rocinha para Biblioteca Parque da Rocinha Educadora Elizia Pirozi. O projeto foi publicado no final de agosto no Diário Oficial do Estado do Rio. A moradora faleceu aos 77 anos, em 2017.

A matéria foi encaminhada pela Constituição e Justiça Educação Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional da câmara para a sequência do tramitê.

Francisca Elizia de Medeiros Pirozi, conhecida como Dona Elizia, realizou trabalhos comunitários de alfabetização de crianças e adultos desde os anos 1970, através do Centro Comunitário União Faz a Força, na Rua 1, parte alta da Rocinha.

Junto à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), criou projetos que levaram centenas de jovens a ingressar na universidade. Além disso, a metodologia de ensino da educadora foi usada como modelo em Moçambique.

Dona de uma forte personalidade, recebeu os prêmios como a Medalha Cora Coralina, da ALERJ, moção de aplausos na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e dos deputados e um prêmio no Ministério da Educação.

Natural do Rio Grande do Norte, Elizia Pirozi começou a trabalhar como costureira quando chegou ao Rio de Janeiro. Na Rocinha, participou das lutas comunitárias por moradias, educação, saúde e saneamento básico, principalmente, no movimento de criação das creches com apoio da UNICEF.

A filha Adriana Pirozi destacou o legado deixado pela mãe na favela. “É uma homenagem muito justa, merecida, assim como outras que já tiveram também, ela costuma ser bem homenageada mesmo e todas muito bacana. Hoje ela estampa a imagem dela na comunidade toda, tem projetos e grafites com o nome dela, tem pré-vestibular, e essa é mais uma que vem para prestigiar e complementar a obra dela né. Minha mãe teve uma história de vida muito bonita.”.

Também é dela a inspiração para a criação do curso de formação de professores noturno, que foi implantado na Escola Estadual José Azevedo do Amaral, no Jardim Botânico, porque tinha muitas pessoas que atuavam nas creches comunitárias e tentavam estudar, mas não tinham tempo. A educadora se formou na primeira turma noturna do colégio.

“Ela conversando com o pessoal sugeriu que eles abrissem uma turma à noite, porque tinha muita gente tentando estudar mas não tinha tempo, aí o diretor falou que se ela conseguisse o  número de pessoas suficiente para montar uma turma, ele abriria uma turma a noite. Nisso minha mãe correu atrás e conseguiu.”, lembra Adriana Pirozi que complementa: “Tenho muito orgulho de ser filha dela.”. 

*Diferente do que publicamos anteriormente, há em curso um projeto de lei que pretende homenagear a educadora Elizia Pirozi.

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