Entre subidas e descidas pelo morro, o guia de turismo José Roberto Oliveira, de 41 anos, usa as artes para mudar o futuro de crianças e jovens através da Escola de Pintura e Artesanato. Cria da Rocinha, o guia vê a “transformação dos mais novos como a chave para um futuro melhor”. 

Quando ficou desempregado em 2002, José Roberto Oliveira viu no artesanato uma chance de iniciar um novo trabalho. “Me juntei com uns vizinhos e começamos a vender nossas coisas aqui mesmo, aproveitava que os turistas paravam para ver o visual e vendia meus quadros já naquela época. Logo vi a necessidade de ensinar para a molecada que ficava por aqui a importância das artes e também fazer uma renda”, explicou Betão, como é conhecido. 

A escola de pintura só surgiu em 2014 com o apoio de doações e de investimento pessoal do guia de turismo, como é até hoje. “Sempre promovi alguma coisa para as crianças em datas comemorativas, mas só em 2018 é que a estrutura melhorou um pouco com a chegada do Mirante e quero fazer muita coisa aqui ainda. Meus amigos estrageiros adoram ver as crianças pintando e logo compram os quadros, gringo valoriza muito todo tipo de arte, e com essas vendas é que eu compro um lanche para a molecada”, conta ele. 

Betão oferece aulas de pintura e artesanato para crianças e jovens no mirante da Rocinha. Foto: Acervo pessoal/Reprodução

Localizado no 199, próximo ao Mirante da Rocinha, a Escola de Pintura e Artesanato chama a atenção de diversos guias, turistas e moradores que passam pelo local. Atualmente o projeto beneficia mais de 50 crianças e jovens que usam tintas, pincéis, lápis e telas improvisadas com sobras da parte de trás dos guarda-roupas que são jogadas em lixeiras da Rocinha. 

José Roberto passa seu conhecimento para todos que vão até lá. Ele também é um dos fundadores da feira de artesanatos que ocorre no mesmo local.

Muito requisitado por diversos guias do morro, grupos turísticos e pelos alunos, Betão sempre procurou apoios e parcerias para oferecer o que há de melhor para as crianças. Hoje conta com a ajuda da Jeep Tour, A&E Live Rio, Favela Tour e Indiana – Jungle Tour.

“Nada se faz sozinho e no morro tem muito disso, um ajuda o outro”, diz. As mães que levam seus filhos e familiares de Betão também auxiliam nas aulas dadas por ele na calçada do mirante.

As aulas na escola de pintura acontecem quinzenalmente. Tudo de forma gratuita, “apenas chegar, preencher a ficha e fazer”.

Em 7 anos, o fundador já atendeu diversas crianças e jovens. Agora, o sonho de Roberto é conseguir um espaço físico para montar uma sala de aula mais equipada, pois deseja que para além de pintura as crianças possam falar um segundo idioma. 

“O primeiro passo já atingi que é fazer esse pessoal acordar cedo no sábado, fazer eles terem esse contato com outra cultura e outros idiomas. Quero muito conseguir um espaço e colocar essa criançada para aprender um idioma, voluntários para ensinar eu já tenho, com essa pandemia a procura aumentou, o espaço aqui já tá pequeno, então as crianças me motivam a buscar sempre algo novo.”.

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