O projeto Cidade Água, coletivos locais, ativistas ambientais e alunos da Escola Municipal Luiz Paulo Horta realizaram nesta terça-feira (21), o plantio de uma muda de ipê amarelo no pátio da escola localizada na Curva do “S”, próximo a UPA da Rocinha. A data também é lembrada como o Dia da Árvore. O objetivo da ação é criar uma contranarrativa, que coloca a favela como centro irradiante da transformação do mundo, originando-se de seus valores mais profundos.

O coordenador da plataforma expositiva Comunidade e Bens Comuns, responsável pelo projeto Cidade Água, Guto Santos, explica que essa iniciativa já ocorreu em outros lugares do mundo, mas na Rocinha tem um maior significado. “Um marco inicial para entender e valorizar ainda mais os moradores. Foi muito lindo esse dia que plantamos a possibilidade de um recomeço, de contarmos uma nova história. Uma história de comuns, que começava em uma escola, em uma favela no coração do Rio de Janeiro, e essa cidade era o coração do mundo inteiro. Foi o que ela passou a ser.”, comemora Guto Santos.

Antes do plantio da muda, foi feito uma atividade com as crianças envolvendo sonhos, desejos e imaginação, ao mesmo tempo em que uma pequena equipe preparava o local de cultivo. O ipê amarelo recebeu um nome após uma votação entre os alunos das escolas municipais Luiz Paulo Horta e CIEP Bento Rubião, e deverá ser chamado de Cura.

Segundo a diretora da escola municipal Luiz Paulo Horta, Ana Maria Nogueira, a plantação no terreno da unidade escolar cria uma cooperação com os alunos e a comunidade. “Isso é um instrumento de toda transformação que é o ambiente escolar, cada vez que acontece uma sinergia como essa é um gás a mais para os alunos e comunidade. Quando chegou o convite do plantio aqui no pátio da escola me senti muito honrada, espero que as crianças daqui possam ver esse ipê crescer e florescer por muitos anos junto com todos os moradores”, diz Ana Maria Nogueira. 

A árvore de florescimento exuberante é símbolo nacional desde 1961 e agora passa a ser símbolo de uma rede de cidades que pretendem se estruturar a partir da coletividade. A cidade do Rio de Janeiro é a primeira capital mundial da arquitetura, título entregue pela UNESCO, e que recebeu a semana de arquitetura recentemente. 

Votação na web

A escola foi escolhida como local do plantio através de uma enquete realizada na web com os moradores da Rocinha. A UPA da Rocinha e o pátio da igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, na Fundação, ficaram em segundo e terceiro lugar respectivamente.

Uma das coordenadoras do coletivo A Rocinha Resiste, Magda Gomes, conta que quando começaram a organizar a ação surgiram várias questões sobre o local do plantio. “Entendemos que o espaço escolar seria de proteção e bens, houve uma consulta antes, fizemos até formulário onde deveria ser plantado e a escola ganhou. É um projeto cíclico que daqui irá se desdobrar para a Dinamarca, quem passar pela principal (estrada da Gávea) poderá ver o crescimento e floração linda do ipê. O start foi dado e colocamos a Rocinha no foco para outros projetos futuros.”, disse Magda Gomes. 

Para que cresça, o ipê amarelo deve receber cuidados por até 2 anos até que fique adulta e saudável. A muda plantada no pátio da escola deve demorar pelo menos dez anos para florescer. Os ipês-amarelos podem chegar a uma altura de sete metros e tem pequeno porte.

Na Rocinha, a árvore não ficará sozinha. Junto a ela, foi enterrada uma carta produzida pelas crianças e professores sobre futuros sustentáveis e deverá ficar no local por muitos anos. Uma cópia da carta será lida em julho de 2023 no congresso mundial de arquitetos, em Copenhagen, na Dinamarca. Até lá, seu conteúdo ficará em sigilo, sendo guardado apenas na memória de quem foi até a escola presenciar o feito histórico.

*Osvaldo Lopes, sob supervisão de Michel Silva

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