No próximo dia 4 de maio, os moradores da Rocinha José Martins de Oliveira e Maria Helena Carneiro de Carvalho receberão homenagens da Câmara Municipal do Rio, por iniciativa do vereador Paulo Pinheiro. José Martins receberá a Medalha Pedro Ernesto, considerada a maior honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio e Maria Helena receberá o Título de Cidadã Benemérita da Cidade do Rio de Janeiro.

A cerimônia de premiação acontecerá na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, no próximo sábado, 4 de maio, às 14h.

Sobre José Martins de Oliveira

Nascido no estado do Ceará em 1946, José Martins mudou-se para o Rio de Janeiro em 1967 e, desde então, tem sido um defensor incansável das melhorias para os moradores da Rocinha. Seu trabalho começou com o carregamento de balança d’água e evoluiu para uma dedicação à luta por água encanada e potável para todos.

Martins desempenhou um papel crucial em diversos movimentos sociais da favela, incluindo o movimento pelo saneamento, a campanha da passarela e o movimento de integração de outras favelas. Ele também participou da fundação da Associação de Moradores do Bairro Barcellos (AMABB), em 1982, onde atuou como presidente por dois mandatos.

Ele também atuou na implantação de uma rede de água potável para a parte baixa da Rocinha, beneficiando mais de dez mil pessoas, além de trabalhar pela canalização do valão para prevenir enchentes e pela instalação de luz elétrica na comunidade em parceria com a Igreja e a Pastoral das Favelas.

Na área da educação e cultura, foi presidente da Ação Social Padre Anchieta (ASPA) por quatro mandatos. Atualmente é conselheiro da organização social. Martins também é um dos fundadores da creche Império da Gávea e presidiu a Escola de Música da Rocinha.

Quando a Rocinha virou oficialmente um bairro, Martins foi o primeiro administrador regional entre 1986 e 1989, responsável pelas ações da prefeitura no território.

Nos últimos 18 anos, passou a se dedicar ao grupo Rocinha Sem Fronteiras, onde reúne moradores, representantes da sociedade civil, acadêmicos e órgãos públicos para discutir e propor soluções para a Rocinha.

Sobre Maria Helena Carneiro de Carvalho

Filha de um casal de imigrantes portugueses, Maria Helena nasceu em 1957 na Rocinha, morando na mesma casa até os dias atuais. Mãe de 4 filhos, Maria Helena se divide entre a família e a atuação vívida na vida comunitária da Rocinha desde a década de 1970.

Ajudou na vitória pela inauguração da primeira Unidade Auxiliar de Cuidados Primários de Saúde da Rocinha (UACPS – Rocinha), hoje conhecida como Centro Municipal de Saúde Dr. Albert Sabin, ou, para os locais, o Posto da Rua 1, onde exerce a chefia da unidade desde 1993, interrompida somente no período de 2021/2022, quando coordenou a Coordenadoria Geral de Atenção Primária de Saúde da Área de Planejamento 2.1 – CAP 2.1, durante a pandemia da Covid – 19. 

Desde de 1977 participa de grupos organizados por moradores visando a busca de melhor qualidade de vida na Rocinha. Na década de 1980, tornou-se diretora de saúde da União Pró-Melhoramento da Rocinha – UPMMR, diretora de saúde da Associação Comercial e Industrial do Bairro da Rocinha – ACIBRO, membro da coordenação da ONG Rocinha Comunidade XXI, membro do Conselho Distrital de Saúde da AP 2.1 da Zona Sul do Rio de Janeiro, bem como Conselheira da ONG Ação Social Padre Anchieta – ASPA, dentre outras atuações importantes.

Com formação em enfermagem e especialização em saúde coletiva, Maria Helena participou do movimento sanitário brasileiro, que deu ao país o Sistema Único de Saúde, lutando arduamente pela melhoria do saneamento básico na comunidade. Na Rocinha ela vive, sobrevive, trabalha, participa, atua, articula e tem história. 

Lutando pela saúde da favela onde nasceu, Maria Helena participa ativamente do movimento pelo aumento da cobertura vacinal na Rocinha, iniciado em 1980 pela primeira campanha nacional de vacinação contra a poliomielite implantada pelo Governo Federal. Destaca-se, também, a participação ativa na criação do PACS – Programa de Agentes Comunitários de Saúde da Rocinha contra a Tuberculose em 2003/2004, na tentativa de manutenção do controle da doença no bairro.

Como principais resultados de seu trabalho de décadas oferecido à Rocinha, destaca-se a contribuição massiva de Maria Helena na ampliação de 100% do acesso dos moradores da Rocinha à saúde a partir do PAC 2007, tendo sido criadas mais duas unidades de saúde na localidade nos anos de 2009 e 2010 (Clínicas da Família).

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